terça-feira, abril 30, 2013

Non cogitat Qui non experitur “


A EXPERIÊNCIA É SEMPRE SOFRIMENTO...

“O medicamento e a droga forte da presença humana tinham mais uma vez aliviado a sua angústia...” - In Denário do Sonho - Marguerite Yourcenar


Hoje acordei com a ideia presente de como as pessoas em geral me apontam uma certa desumanidade…Como exemplo, não corresponder às suas expectativas de afecto ou amor diante de doenças ou da morte, não dar atenção às pessoas enfermas – mesmo sendo amigos ou familiares – ou quando elas passam por um momento conturbado ou de luto ou por momentos duros face a certos incidentes na vida… Não, não dou muita atenção a dor física, mas à dor das almas e estou sempre disponível para quem as sofre…e para falar delas sem mentiras nem disfarces…
Quando muito poderia ser uma boa psicóloga, mas nunca seria enfermeira nem médica porque a dor física do outro me dói no corpo também…Talvez por isso me afasto delas…mas não do sofrimento real.
Realmente isto fez-me pensar -  dado uma amiga, que muito estimo -  ter-me confrontado com isso diante do luto da sua mãe, ou de outras pessoas se afastarem de mim (virtualmente) por eu não ter telefonado a saber da sua saúde ou de as não ter ido visitar ao hospital…tal como as que vão fazem disso alarde.
Sim, de acordo com as regras, isto fez-me pensar que não sou uma “boa pessoa”…nem “bem-educada”, ou sequer uma pessoa interessada nas "desgraças alheias"…e então, caí em mim…e reflecti bastante acerca do porquê de eu ser assim. É um facto. Eu não sinto as coisas desse modo, como toda a gente diante do sofrimento alheio. Não. E não foi difícil encontrar a resposta para mim. Para mim apenas, porque sei que essas e umas tantas outras pessoas vão discordar de mim e pensar-me ainda pior do que já pensavam, já  para não falar de uma pessoa materialista dialética   ou comunista, ou mesmo cristã e que me leia...
Temo que este texto não possa sujeitar-se a esses tipos de leituras...básicas e ultrapassadas.

Mas eu vou-vos dizer na mesma como sinto…
Para mim o sofrimento é absolutamente natural e faz parte integrante da vida. É mesmo um motor importantíssimo para acelerar o conhecimento de nós mesmas/os, seja a nível psicológico pelo enfrentar da nossa Sombra como o nosso lado mau, seja o sofrimento causado pelos sentimentos de abandono na infância ou de rejeição, ou de relações e amores traídos, feridas de maus tratos, lutos etc..  
Eu sinto e desde sempre um grande sofrimento na vida. Não um sofrimento físico, na verdade, mas penso que é precisamente porque não fujo aos sinais da doença que fisicamente nunca sofri muito…mas eu sofro animicamente (mesmo que me digam que a alma não dói) por tudo e por nada.  E sofro não porque me agarro ao sofrimento das coisas que me fazem sofrer. Sofro pela alienação da Humanidade de um alto propósito. Sofro pela mentira das pessoas e como se mata e tortura no mundo seres humanos. Sofro a ignomínia da Guerra e as violações das mulheres em todas elas e fora delas. Sofro a falta de verdade e autenticidade dos seres que me rodeiam. Sofro a falta de integridade e de verticalidade. Sim, sofro na minha alma e no meu coração diante de um mundo que não é…o que sonhei nem o que idealizei…e minimizo as dores pessoais e privadas, não por descurá-las, mas porque as sofro também na pele…Sei-as todas e conhece-as bem. Elas são-me no entanto secretas e intimas…e sei que só nós as podemos resolver em consciência encarando sem medo nem mentiras as suas causas.

Já lutei e fiz tudo em tempos quando ainda era jovem para idealmente sanar os males que eu via fora de mim…mas vi depois que ninguém muda o mundo sem se mudar a si primeiro. E estou tão habituada ao sofrimento profundo e a vivê-lo das entranhas, a vivê-lo sozinha e sem que ninguém saiba ao certo o que tenho ou não tenho, que para mim o sofrimento é a coisa mais natural do mundo e até tenho um certo pudor em o revelar… ( talvez eu já não o diga  porque sei que nada nem ninguém neste mundo nos vale…e isso eu aprendi a minha custa e não me queixo - embora as vezes ainda me doa, confesso…) Por isso nem me passa pela cabeça a esse nível intervir agora sobre o sofrimento alheio…porque afinal vim a descobrir que sofrer, sofrer em si, conscientemente…saber o porquê desse sofrimento é uma coisa sagrada…é uma alquimia preciosa, uma oportunidade única para se ir mais fundo e rezar…
No entanto eu sou tácita e secretamente solidária com as dores do mundo e o sofrimento alheio, mas não parece, admito. As pessoas querem actos, palavras de conforto…caridade, formalismos, provas de afecto etc. e eu não as tenho. Isso até é fácil…sei até de quem o faz sem sentir nada …porque é suposto…
Não digo nada talvez porque sei que a verdadeira ajuda vem de dentro e a não ser uma intervenção divina, sim, digo um amor sublime que nos eleva acima da dor …nada mais o faz…Podemos tomar remédios e drogas, mesmo essa “droga forte da presença humana” que alivia tanto a nossa dor, mas só por Graça (a Lei da ressonância vibratória: um momento um estado e um lugar) que se manifesta de graça…e que nos transporta acima dela…nos sentimos livres da dor e do medo. Essa é a minha experiência.
Por isso para mim o verdadeiro sofrimento é uma oração à vida, uma oportunidade de me transcender, de transformação, no sentido de me elevar acima da dualidade humana…e a minha experiência de vida mostrou-me que quanto mais eu sofro e vou fundo dentro de mim mais subo e me consagro à existência mais pura onde dor e prazer se misturam numa epifania do Ser…absoluto. E que essa é a Magia da vida, o casamento sagrado entre os dois lados de mim…E aceitar a dor tanto com o prazer e na mais profunda emoção que é um misto de dor e prazer   viver essa transcendência de si mesmo enquanto pessoa dividida e ser dual…é deixar de viver só na superfície e nas aparências que tanto nos enganam. A alegria a existir plena e ela ser pura …vem  dessa fusão do ser e não por oposição à dor nem pela negação do sofrimento.

Isto não é a apologia do sofrimento em  si, como estão a pensar, mas só  por si colocar uma ênfase necessária num dos aspectos mais incríveis da vida e de que todos andamos afastados com medo justamente de sofrer, de saber, de conhecer o Mistério da Vida como o nascer e o morrer …E porque nos alienamos do ser essencial à mínima dor, ao menor sinal de sofrimento, tomamos comprimidos e drogas e calamos o que em nós quer sair e gritar, quer nascer…é claro que eu não falo do sofrimento físico proveniente da doença já instalada…porque sei que a doença é uma consequência da nossa inconsciência de ser e suportar a dor como sinal até do que está mal no corpo ou na mente e do caminho que trilhamos ser muitas vezes uma traição a nós mesmas/os e à nossa alma e nós continuamos a enganarmo-nos. A dor física é sinal de que algo vai mal no nosso sistema complexo, de um ser humano que separa e divide a alma do corpo e do espírito e vive em disfunção total…apenas no plano material e da mente.
E como diz Marguerite Yourcenar num seu livro: “É impossível pensarmos nas adjurações da sabedoria alquímica que introduzia igualmente a fisiologia no coração do conhecimento: Não aprender, mas sofrer. Ou uma formulação latina análoga Non cogitat Qui non experitur “

rosaleonorpedro

segunda-feira, abril 29, 2013

Nascemos para morrer - Samuel Pimenta



VALE A PENA LER O TEXTO:

É muito raro trazer aqui textos de dimensão mais humana  num sentido mais  abrangente, digamos,  mas este brilha pela sua respiração de ALMA e de SER HUMANO consciente da vida e da morte... e situa-se além do feminino e do masculino...e por isso é comum na sua essência ao evoluir do Ser Mulher Integral, pois a par dessa mulher há também um homem integral que se faz a si mesmo e aí nos encontramos...
rlp


Nascemos para morrer: A ordem da vida é-nos alheia. Há uma tendência natural para temermos o que a compreensão não explica.

O MEDO DO SOFRIMENTO

 
SOFRER OU NÃO SOFRER, EIS A QUESTÃO...

AS pessoas comuns  - não as que estão num plano de privação e sofrimento que nem podem sequer olhar para si mesmas como pessoas - mas as que vivem na mediania, sejam as pessoas ditas e ditas "normais", "cultas" ou classe
média...não suportam a ideia de sofrimento e tudo fazem para se "drogarem", para se alienarem de todo e qualquer dor-sofrimento, fugindo da sua Sombra como quem foge do "Diabo"...e não vêm que há muito mais sofrimento e indignidade na fuga do que as atormenta do que enfrentar o sofrimento que é inevitável...
O sofrimento não é uma compulsão masoquista ou sádica...isso é só a consequência de não se saber viver naturalmente o que nos faz sofrer como componente oposto de outro que lhe dá prazer e por isso não se sabe ultrapassá-lo com dignidade, repito, pois sem sofrimento - dor-prazer - não há crescer... não há evolução... não há saber...Porque "sofrer" quer dizer, conhecer...passando pela experiência do Ser Integral...
Ninguém É sem passar pela experiência viva da vida e esta é só possível  vivendo as duas faces da moeda... só depois se pode viver acima tanto da dor como do prazer, sim, uma oitava a acima...em paz e harmonia interior e exterior,  pois tudo o que está em baixo está em cima...e a Visão Singular não se ganha sem ultrapassar a dualidade humana pela via alquímica, integrando os opostos...noite e dia, sol e lua, masculino e feminino...
rlp

sábado, abril 27, 2013

A "sedução manipulatória"...


 
OS ENREDOS DE MULHERES…

 Sabem...eu posso por vezes ser um pouco dura ou inflexível no meu discurso ou demasiado frontal, dizer ou ver coisas que não se dizem normalmente, porque não suporto o fingimento nem o simulacro e sinceramente não suporto essa "sedução manipulatória" que as mulheres fazem umas às outras só na superfície - na maior simulação virtual de amizade - na tentativa de fazer "amigas", tendo como inimigas as outras contra quem estão e em cima disso se unem e formam grupos…
Esta é ainda SÓ MAIS uma manifestação subtil do antagonismo das mulheres, servirem-se de uma tantas “amigas” na mesma onda e contra as rivais…e vice-versa…mais à frente farão a mesma coisa com outras mulheres que surgirão…é um pouco aquela coisa “zangam-se as comadres e descobrem-se as verdades”…e não passa disso.

Não é a primeira vez que vejo isso acontecer dentro de um grupo de mulheres...virarem-se umas tantas contra uma ou duas ou mais que perfilham uma ideia e depois por terem outras ideias, e entrarem em controvérsia tornarem-se opositoras e adularem-se entre si muito amorosamente, as que divergem da “autoridade” e ficam  em despique de domínio ou sedução e como uma espécie de vingança de quem se desvincularam ou de quem sentiram um agravo.

Lembro-me, em criança, das meninas fazerem isso contra as outras...as que por qualquer razão se destacavam ou eram diferentes. Talvez este seja um dos movimentos do Bullying nas escolas...as mulheres são especialistas nisto, de se virarem umas contra as outras como se vê nos Mídea e nas telenovelas e filmes...A necessidade de rebaixar a outra mulher e de a punir está nos próprios complexos e na falta de auto-estima que as mulheres desde pequeninas sentem por si...e isto pode manifestar-se quer na adulação quer na agressão...ou começa por adulação/inveja e acaba na agressão/ódio...
De um grupo inicial, no Facebook, Mulheres e Deusas saíram as mais “ternas e doces amigas” as mais moderadas e as cordatas, que se juntaram noutro grupo à parte e deixaram de ser “minhas amigas”, por eu ser demasiado “cruel e dominadora”... Na verdade elas nem dão por isso...eu é que sou a tal "empata fadas"...que teima em varrer os cantos da casa...
E ver estas coisas e desmontá-las não é fácil nem angaria simpatias entre as mulheres, nem na vida, nem no virtual...Não se angaria simpatias para causas! Tenho bem consciência disso, mas não, não posso mudar nada. E pago o preço que for necessário. A ConSciência das nossas artimanhas e de pactos inconscientes e reacções de defesa, faz parte da nossa evolução...

Hoje estava precisamente a pensar como nós deixamos que coisas pequenas pessoais e egos, ou emoções passageiras, interesses mesquinhos e raivas se sobreponham a um trabalho de fundo e dessa consciência - que passaria por tomarmos justamente consciência das nossas manigâncias “femininas”, contradições e expectativas...que passaria por termos consciência da nossa fragmentação e o modo como fomos usadas e ainda somos nesta sociedade e continuamos a dividirmo-nos entre nós e fazendo umas das outras inimigas...
É fácil pensar que são os homens e as outras mulheres que nos manipulam ou enganam...o difícil é ver como nós nos engamos e manipulamos os afectos...como somos susceptíveis e vulneráveis, como reagimos contra tudo o que se nos oponha ao nosso ego e oponha a esses hábitos e vícios de comportamento, resistindo à mudança interior e não vemos como facilmente nos adulamos umas as outras em vez  de nos unirmos e vermos nua e cruamente, sem qualquer julgamento condenatório, porque todas nós sofremos da mesma divisão, da mesma fragmentação, da mesma vitimização.
Eu fico mais chocada com alguém que se diz muito “boa pessoa” e moderada e se choca com alguma frontalidade do que com quem ousa ser sincera e diz umas verdades de forma mais ríspida...mas esta de serem pacíficas e moderadas ou muito boazinhas é uma nova versão “new age” muito na moda que invalida processos de consciência mais profunda ao nível psicológico e desmascarar as nossas posições de defesa, as nossas máscaras, as nossas couraças; isso significa na verdade mais uma fuga a que as mulheres estão habituadas e com que se gostam de enganar a si próprias.

Tanto amor... tanto amor...e de repente salta o ódio visceral...disfarçado de ofensa ...e claro de ego...Eu prefiro não amar como elas amam...e ser coerente comigo mesma e a minha verdade. Mesmo a risco de ficar só, claro.
Talvez isto não vos diga nada a vocês, mas a mim diz muito. Há muitos anos que ando nesta luta...e a única coisa que exijo de mim é não me enganar com nada...mas a verdade é que me enganei...
Sonhei que este trabalho com as mulheres seria possível...que haveria algumas mulheres capazes de aprofundar-se e sentir e saber os meandros em que se movem e como se debatem nas suas próprias teias...pensei que juntas aqui ou ao vivo nos podíamos desenvencilhar de algumas delas...com cuidado e persistência...mas não com mentiras e fugas ao essencial...não com disfarces...não com amorezinhos e abracinhos…

 Sim, sou aparentemente fria e normalmente céptica, mas ainda acreditava nas mulheres...mas agora por vezes...confesso que começo a ficar cansada e descrente deste trabalho...ou de mim mesma se calhar...
Pode ser que persista nele ou pode ser que abandone de vez esta causa ou este sonho...da União das Mulheres...e de uma irmandade feminina.

 rlp

sexta-feira, abril 26, 2013

UM DESEJO DE SEIVA...

 
EXPRIMIR O INFINITO...

"Em nossas relações com os outros é também decisivo saber se o infinito de exprime ou não.” - Carl G. Jung, Memórias, Sonhos e Reflexões

É preciso que se diga com clareza: há relações que não valem a nossa atenção. ...Há pessoas que também não valem a pena, o que não quer dizer que não as respeitemos. Mas nós insistimos, às vezes para além do suportável.

Como podemos saber se esta pessoa ou situação, merece que atravessemos os nossos limites ou o inferno, se tiver de ser? Qual o critério? Jung (psicanalista) diz que deveria ser este: esta relação exprime o infinito, ou não? Isto é, crescemos ou não, na relação.
 
Se nos deparamos com alguma dificuldade em compreendermos o significado do infinito, talvez se torne compreensível se dissermos que a sua ausência, é o sentimento de que “sou apenas isto” ou, esta relação “é apenas isto”. Sabe a pouco.
 
Mas até este despertar, pouco queremos saber do sentido dos dias vividos um a um. Andamos. O horizonte está próximo e é um manto espesso. Mas em muitos de nós, vai crescendo de maneira inusitada um desassossego. Um desejo de seiva.
Surge então o primeiro momento em que acreditamos que é mais fácil separar as coisas que são fundamentais das futilidades que nos consomem, e das pessoas que não têm nada para nos dar. O ilimitado torna-se essencial. O que nos coloca perto do mais íntimo de nós, e do mais natural em nós.


in incalculável imperfeição
Publicada por cristina simões
 

igual a todas as mulheres...





UM FRAGMENTO DE MULHER...

"sou mulher e sou igual a todas as mulheres. como todas elas, não me fiz mulher, fiz-me uma outra coisa. não existo neste invólucro, sou apenas misturas trazidas até mim. nunca soube quem era, apenas que tinha esta vagina e estes seios. a minha cabeça, essa não me parece pertencer, tem outros juízos, aqui dentro, tão longínquos de quem verdadeiramente sou-mulher. sou retalhos numa tela de um pintor que me pintou e disse-me que, «esta era eu», feita e nascida do seu pincel. mas nunca a mulher real, aquela que nasceu comigo ao primeiro sopro e que foi esquecida.
....e, eu digo que, o meu nome é fragmentação, e, todos ficam chocados com esta barbaridade que profiro.»


BLOG.NÃOSOUEUSOUAOUTRA

...de la alquimia

Ilustración de Christian Schloe




Salen de mi boca, cuando quieren, los resultados de la alquimia interna.
Los jugos gástricos disuelven mis experiencias descomponiéndolas en micromentos de amor, dolor, sueño o esperanza. Cada gesto es una palabra, cada palabra es un símbolo de todo aquello que contengo.
De la basura nacen flores, de los amores nacen espinas. Nada de lo que he vivido está separado del dolor, nada de lo que experimenté se libera de la belleza.
Cuando hablo o escribo regurgito el alimento para nuevos días y nuevas noches. Nada va a librarse del aroma de lo vivido. Nada escapará de las espinas de la pérdida del hoy convertido en ayer.


Ana Cortiñas

terça-feira, abril 23, 2013

UMA MULHER LÚCIDA...



UMA MULHER EM BUSCA DE SI...

"Terei de morrer de novo para voltar a nascer?

Vou voltar para o desconhecido de mim mesma e quando nascer falarei em "ele" ou "ela". Por enquanto o que me sustenta é o "aquilo" que é um "it". Criar de si próprio um ser é muito grave. Estou me criando. E andar na escuridão completa à procura de nós mesmos é o que fazemos. Dói. Mas é dor de parto: nasce uma coisa que é. É-se. É duro como um pedra seca. Mas o amago "it" é mole e vivo, perecível, periclitante. Vida de matéria elementar."

Clarice Lispector
in Água Viva

EM BUSCA DA MULHER INTEGRAL

 
SER MULHER EM SI...CONSCIENTE E INTEGRAL.
 
É da minha natureza...não consigo deixar de reflectir sobre as coisas...
E estava a pensar no que nos pode unir a nós mulheres e contribuir para uma maior consciência de si....de nós, como mulheres, cada uma por si em busca dessa identidade profunda e  em busca de uma integridade como mulheres, sem sofrer todos os epítetos e ofensas, abusos e violação desde meninas e violência doméstica  e tantos outros crimes que sofremos por sermos apenas mulheres..
Há em nós, felizmente, começa a haver,  essa busca da mulher integral...como um factor premente e urgente, diria...mas também há o Ser em si...a pessoa humana no seu contexto global. Será que são coisas diferentes? A realidade física/sexual da  realidade anímica e da realidade espiritual?
Essa divisão foi operada pelas religiões e com vista a dividir a Mulher em duas espécies, desde a Queda...está na Génese, a luta e preconceito logo no inicio contra as mulheres.
Durante séculos a mulher foi mantida presa aos estereótipos da prostituta (concubina) e da esposa de forma global, imperando esse modelo para todo o Império Romano e depois a Igreja de Roma também o preconizou. Hoje sabemos que o Vaticano possui Bordeis e Lupanares  e mantém redes de prostituição que explora financeiramente e por outro lado não para de  pregar contra a mulher livre e a favor da família e do casamento instituição, fazendo tudo para manter o status quo...e assim poder continuar a viver à conta da mulher...A igreja sem a mulher-Mãe presa a um estereótipo "sagrado" e uma mulher livre, "pecadora", presa no Bordel, a Família cai e a Igreja já não tem missão..."exemplar" a cumprir e todos aqueles monstros "sagrados", vestidos de preto e vermelho, aqueles velhos misóginos e repugnantes, muitos  pederastas e viciados, deixam de ter sentido. 
Mas voltemos a questão mais importante, a dessa divisão da mulher em duas espécies:
 
Pode um ser humano deficiente, um cego por exemplo, VER alguma coisa?
Não...sim,  dir-me-hão que ele terá outros sentidos mais desenvolvidos e compensa o sentido que lhe falta...Mas se fosse outro órgão essencial, algo indispensável para sentir e pensar e ser um ser total enquanto ser humano? Aquilo que o definiria como ser humano basicamente...?
Se o homem tivesse sido dividido entre o escravo/eunuco ( ou um mero instrumento sexual)  por um lado e o homem livre por outro? Já foi assim, foi, mas a mulher foi sempre a escrava até do escravo...e continua a sê-lo a nível mundial, escravizada sexualmente por Mafias e pela própria Igreja como vimos...
 
Bem sei que esta é uma difícil, complexa e vasta comparação, mas onde eu quero chegar efectivamente é que se uma mulher não estiver consciente dessa sua  cisão interior e se aceitar continuar dividida em duas espécies de mulheres no mundo e não tiver acesso ao seu potencial máximo que a define como Mulher em si, seja sendo  senhora do seu Útero ou dos seus ovários, por exemplo, ou aceder à consciência do seu polo feminino em essência, pode a mulher dizer-se mulher total?
Creio que não...e é esse o ponto ou fulcro da questão do Ser Mulher.
Todo o ser humano tem em comum respirar...o mesmo ar...nascer um dia e morrer quando menos se espera...mas a Vida em si cujo sentido tem uma plenitude de ser agora e aqui...dizem os hindus...também só pode fazer sentido para a mulher se a vivência humana for completa e consciente, e no caso da mulher não o é...visto que ela é deficiente de uma parte de si, da sua natureza ctónica e visceral - ela vive uma cisão interior e exterior que se reflecte na sociedade e em vivência individual, como prostituta ou esposa etc. através dessa separação divisão da mulher em duas espécies de mulheres como se esses aspectos que a dividem não fizessem parte integrante de uma só. E é essa divisão milenar da Mulher, que corresponde a uma parte de si que foi denigrida,  recalcada e negada e assim dividida de forma a separar as mulheres e a impedir cada uma delas de SENTIR a plenitude do seu SER MULHER INTEIRA.
 
A mulher integral é a mulher que une as duas partes de si dividida e que se assume inteira e sem medo desse potencial gerador de vida e prazer. E não é uma mera inversão dos estereótipos - como hoje em dia os filmes propagam, em que a dona de casa vira estilo prostituta e a prostituta deputada...- em que foi dividia secularmente...mas uma complementaridade vivida com liberdade interior, dignidade e alma, seja na sua face sensual/sexual seja na sua face maternal e afectiva, simples.
Trabalhar esta consciência e paulatinamente caminhar para dentro dessa grandeza que é ser mulher inteira, una e capaz de ser por si mesma sem precisar de apêndices, sem precisar até de ser mãe e esposa ou amante para amar e se dar a partir do seu interior e do seu ser inteiro, como iniciadora e amante da Vida ...ela mesma uma sacerdotisa da Deusa...fiel a si mesma e à Mãe que é sempre!

rosaleonorpedro

segunda-feira, abril 22, 2013

A MULHER É A SALVAÇÃO DA TERRA...



 "AS MULHERES TÊM A OPORTUNIDADE DE MUDAR O MUNDO NESTAS PRÓXIMAS DÉCADAS. MAS SE O NÃO FIZEREM AGORA, PROVAVELMENTE JÁ NÃO O FARÃO."


 jean shinoda bolen

AS MELHORES ALIADAS...



A lua pareceu querer concentrar a sua claridade sobre aquele lugar desértico. Graças a ela, Clara viu-as.
 Serpentes

Dezenas de serpentes de tamanhos e cores variadas. Uma vermelha com o ventre branco, outra vermelha com olhos amarelos, a branca com cauda grossa, uma branca de dorso salpicado de manchas vermelhas, uma negra de ventre claro, uma víbora sopradora, outra que parecia ter um caule de lótus desenhado na cabeça, uma víbora de cornos e cobras prontas a atacar.
Morta de medo, Clara não fugiu. Se a Mulher Sábia a tinha trazido ali, não era para lhe fazer mal.
Clara fixou os répteis um após outro, enquanto eles iniciavam uma espécie de ronda em volta dela. Nos seus pequenos olhos vigilantes, não detectou qualquer hostilidade.

 A cabeleira da Mulher Sábia brilhava na noite. Quando estendeu os braços para o solo, num gesto de apaziguamento, os répteis deslizaram para debaixo da pedra redonda.
- Não terás melhores aliadas - disse ela a Clara. - Não mentem, não fazem batota e trazem em si o veneno que te servirá para preparar remédios contra as doenças. Comigo, na montanha, aprenderás a falar com elas e a chamá-las em caso de necessidade. As serpentes são as filhas da terra, conhecem as energias que a atravessam porque estavam presentes quando os deuses primordiais a formaram. Far-te-ão compreender que o medo é uma etapa necessária e que um mal se pode transformar em bem. Aceitas o dom das serpentes?

Clara pegou no pau que lhe estendia a Mulher Sábia. Quando este se transformou numa longa serpente dourada cuja boca parecia sorrir, a jovem não a largou.

  - Em A Pedra de Luz - Vol. 1 de Christian Jacques

sábado, abril 20, 2013

OS GRANDES ESCRITORES SABEM...


DECLARAÇÃO DE AMOR À LÍNGUA PORTUGUESA

“Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa.
Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter subtilezas e de reagi...
r às vezes com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento e de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo.
Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Às vezes se assusta com o imprevisível de uma frase. Eu gosto de manejá-la como gosto de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes lentamente, às vezes a galope.
Eu queria que a língua portuguesa chegasse ao máximo nas minhas mãos. E este desejo todos os que escrevem têm. Um Camões e outros iguais não bastaram para nos dar para sempre uma herança de língua já feita. Todos nós que escrevemos estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.
Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada. O que eu recebi de herança não me chega. Se eu fosse muda, e também não pudesse escrever, e me perguntassem a que língua eu queria pertencer, eu diria: inglês, que é preciso e belo. Mas como não nasci muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria escrever em português. Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que minha abordagem do português fosse virgem e límpida.”


CLARICE LISPECTOR

segunda-feira, abril 15, 2013

NUMA VIAGEM AO EGIPTO...

Uma transcrição alterada pela minha própria experiência que se assemelha em muito com a autora do texto original. E PORQUE  ME LEMBREI FORTEMENTE DELA…





A Deusa Sekhmet

... “A maioria das estátuas que existem de Sekhmet encontram-se em museus. Houve uma, no entanto, que vi no antigo Templo de Karnac numa ruina insignificante que quase ninguém dá por ela e que nem sequer é visitada pela grande maioria dos turistas que diariamente aí vão. Quando entrei nesse pequeno círculo onde ela se encontra, com espaço para poucas pessoas, fixei os meus olhos nela e me senti como se estivesse na presença de uma figura muito forte e protectora.”

...Senti -A VIVA e à sua força imanente, cheia de pujança, como se ela vibrasse ainda para lá dos tempos naquela imagem escondida da grande maioria dos turistas e disseram-nos que as pessoas que a guardavam conheciam o seu Mistério profundo e actual...tal como a autora, embora houvesse homens, "eu viajava com um grupo de mulheres e todas nós sentimos como se tivéssemos entrado num santuário…"

“Essa Estátua de Sekmet era uma escultura alta, feita de pedra de basalto escuro e macio. Estava sobre uma base rente ao chão; a mais alta de entre nós mal lhe chegava aos ombros. O seu rosto de leoa, não só era muito sereno como bondoso. Na cabeça ostentava um símbolo de poder, uma grande representação do disco solar com o aureus, a cabeça erecta da cobra ao centro. Na sua mão direita segurava a ANKh, símbolo da vida eterna (e Chave da Vida), com o braço ao lado do corpo. (…) A única fonte de luz no pequeno recinto irradiava de uma abertura no teto iluminando a câmara escura,” pois se travava com efeito de uma Câmara.

A Grande Deusa era a incorporação da Terra em seus ciclos, muito mais do que o sol e a lua em suas fases: ela era a criadora que traz a vida, a que a preserva e a destruidora dessa mesma vida. As mulheres em geral, tomam contacto com o aspecto sombrio da Deusa, principalmente quando ficam velhas.
(…)
JEAN SHINODA BOLEN

In AS DEUSAS E A MULHER MADURA

IR MAIS FUNDO...


EM SILÊNCIO...



"Quanto mais avançares, mais e mais serão os perigos que cercarão os teus passos. O caminho que segue para diante é iluminado por uma chama a luz da audácia ardendo no coração. Quanto mais ousares, mais conseguirás. Quanto m...ais temeres, mais a luz esmorecerá e só ela te pode guiar. Porque como o último raio do sol no píncaro do alto monte é seguido pela noite escura quando cessa, assim é a luz do coração. Quando se apaga, uma sombra negra e ameaçadora cairá do teu coração sobre o Caminho, e prenderá os teus pés pávidos no chão".



in "A Voz do Silêncio" de Helena P. BlavatskyVer mais

PARA AS MULHERES MAIS VELHAS...



A MULHER MADURA...não é fácil...


"A medida que as mulheres chegam aos cinquenta ou alcançam a menopausa, ou perdem seus mentores ou suas ilusões amadurecem e deixam para trás as identificações com Atena como uma eterna filha do pai buscando aprovação das instituições masculinas e de homens poderosos, Métis, como a sabedoria feminina, prepara-se para surgir. É preciso ter evoluido além do contentar-se em tentar ser a filha dilecta do patriarcado para poder encontrar se com Metis, que é metade matrilinear de sua linhagem psicológica.
Penso em Métis como a esclarecedora da intuição, intelecto e experiência; uma maturidade que surge do facto de se ter tornado experiente e preparada pela vida, pela perda da "hibris* (orgulho e arrebatamento) e pela aprendizagem em primeira mão da humildade e da vulnerabilidade. "
(...)

MENOS AINDA A MULHER VELHA...

"Quanto mais velhas ficamos, mais provável se torna nos depararmos com o sentido da realidade. A vida também nos expõe aos aspectos sombrios da natureza humana, aos elementos escuros e destrutivos dos outros e de nós mesmas. Vivemos o suficiente para ver o dano dos descaso que se abate sobre as gerações futuras e nos damos conta de que muito sofrimento poderia ter sido evitado. É essa visão que vê longe que pode ser atribuída a Sekhmet como a indignada e feroz protetora dos valores e das pessoas, além da determinação de fazer mudanças para melhor."

(…)

JEAN SHINODA BOLEN

In AS DEUSAS E A MULHER MADURA

sexta-feira, abril 12, 2013

O INDIZÍVEL SEGREDO



ENCONTRO COM LILITH…


(...)

- Porque é que eu não te encontrei antes?

- Porque, olha, para chegar lá onde tu estás hoje, foi preciso sentir o apelo do desejo. Foi preciso reconhecer o vazio, a falta de qualquer coisa que te liga ao Grande Todo. É essa carência que faz com que as nossas entranhas fiquem estéreis, os nossos desejos vagabundem, e a nossa existência se torne uma solidão amarga…Para poder deixar um espaço a esse vazio, uma chance dele existir, é preciso primeiro parar de querer fugir, ou de o preencher a qualquer preço. É preciso ousar sentir o vazio. O vazio é a terra fértil sobre a qual poderá germinar o teu desejo. E esta é uma bem difícil tomada de consciência, não é verdade?

- Não é muito agradável com efeito…Mas como fazer de outra maneira? Eu não me habito. Sinto-me fora de mim mesma, ou antes ao lado. Eu não sinto a vida a correr nas minhas veias, e o vazio de que tu falas assusta-me.

- Já não agora. Senão, tu não estarias aqui. Vê, é quando não se duvida mais desse vazio que ele se pode tornar a fonte de vida. O reencontro com o feminino. Enquanto tu esperares desesperadamente que qualquer coisa aconteça, tu serás como uma criança que espera que a mãe a salve. Mas quando tu estás pronta a olhar o vazio face a face, acolhê-lo, a reencontrá-lo, a explorá-lo, então, tu começas a fazer a experiência do mistério feminino. Tu entras na tua dimensão de mulher.

A sua voz é doce e pousada. Ela parece vir da noite dos tempos. O nome “mulher” ressoa em mim como uma promessa. Como a chave de um caminho por percorrer, a construir, a criar. Sentada ao seu lado, eu começo a ouvir ressoar no mais profundo de mim mesma os ecos de um universo submerso, prestes a vir a superfície. Eu sinto que é aí, no fundo dessa gruta, ao abrigo dos olhares e dos falsos semblantes que eu encontrarei o meu indizível segredo…

(…)

Tradução de rlp

Do livro E DEUS PERDEU A MULHER

De Anne Shwartzweber

É PRECISA MATURIDADE...





 
SEM MATURIDADE

NÃO HÁ POSSIBILIDADE DE UNIÃO ENTRE AS MULHERES...

"Membros dos círculos de mulheres sábias tem qualidades que associamos às deusas anciãs – sabedoria compaixão, humor, indignação, acção decisiva, maturidade – mas são também mulheres morais e imperfeitas na terceira fase da vida, conscientes de que estão envelhecendo e são vulneráveis a todos os temíveis aspectos do envelhecimento e da morte. Elas sabem que a vitalidade, a criatividade e a influência que têm passará e sabem o seu tempo limitado e precioso. Toda a mulher tem o seu período de experiência e lições para passar adiante. Individual e colectivamente, elas têm mais visão psicológica e compaixão do que quando eram mais jovens. Muitas terão experiências passadas de outros grupos para transmitir. Podem ter se conhecido durante quase uma vida inteira ou ter se encontrado pela primeira vez quando o círculo se formou.

Um círculo de mulheres sábias pode ser formado por mulheres que tenham algo em comum; elas podem ser activistas, avós, psicoterapeutas, artesãs, escritoras ou músicas, alunas da mesma escola ou sobreviventes do cancro ou residentes da mesma comunidade ou vizinhança; podem ser de classe social diferente ter raízes ou raças semelhantes. Ou na superfície podem aparentar não ter nada em comum. Em qualquer dos casos, o que mostram não tem importância, pois o que vale é a essência de cada uma, suas qualidades de alma e maturidade psicológica. Sua honestidade, confiança, o seu riso compaixão curadoras fazem do círculo um santuário da autenticidade e a base de uma casa espiritual.

Penso nas mulheres que compõem tais círculos como anciãs que foram pressionadas e suavizadas nos pontos certos."
(...)

In As deusas e a mulher madura

Jean shinoda bolen

quarta-feira, abril 10, 2013

PRECISAMOS DE ACORDAR EM NÓS

 

A MULHER SÁBIA



... "LA LOBA, a velha, Aquela Que Sabe, está dentro de nós. Ela viceja na mais profunda alma-psique das mulheres, a antiga e vital Mulher Selvagem. A história de LA LOBA descreve a sua casa como aquele lugar no tempo no qual o espírito das mulheres e o espírito dos lobos se encontravam - o lugar onde a mente e os instintos se misturam, onde a vida profunda da mulher embasa sua vida rotineira. É o ponto onde o Eu e o Tu se beijam, o lugar onde as mulheres correm com os lobos. Essa velha está entre os universos da racionalidade e do mito. Ela é a articulação com a qual esses dois mundos giram. Esse espaço entre os mundos é aquele lugar inexplicável que todas reconhecemos uma vez que passamos por ele, porém suas nuances se esvaem e têm a forma alterada se quisermos definí-las, a não ser quando recorremos à poesia, à música, à dança...ou às histórias."

E NÃO ESQUEÇAMOS:

"Ela é o Self instintivo"

"A Mulher Selvagem nos abraçará enquanto estivermos chorando. Ela é o Self instintivo. Ela consegue suportar nossos gritos, nossos uivos, nosso desejo de morrer sem morrer. Ela sabe aplicar os melhores remédios nos piores lugares. Ela ficará sussurrando e murmurando aos nossos ouvidos. Ela sentirá dor pela nossa dor. Ela a suportará. Não fugirá. Embora haja inúmeras cicatrizes, é bom lembrar que, em termos de resistência à tração e à capacidade de absorver a pressão, uma cicatriz é mais forte do que a pele. "



"MULHERES CORRENDO COM OS LOBOS" Clarissa Pinkopla Estés

PARA O BOM OBSERVADOR...



CLARIFICANDO...

A propósito do texto anterior e de um comentário de um leitor...

Quando digo que a mulher é mantida na ignorância refiro-me a ignorância de si...a ignorância da sua verdadeira essencia e do seu verdadeiro potencial como mulher integral e não falo da mulher intelectual nem da mulher informada e formada dentro da mentalidade e dos princípios e valores do patriarcalismo que a mantém ignorante do seu poder pessoal - que não é só sexual por um lado  nem de mãe somente por outro...pois essa é a divisão secular da mulher na Igreja e em quase todas as seitas, e que ela é vista como uma mulher bem comportada e séria ou uma doidivanas, uma ordinária...e que toda a mulher de uma maneira geral sofre e entra em conflito interiormente pois se vê obrigada a negar um lado ou o outro de acordo com que o meio ou  a família exige dela e dessa conflito psicológico e emocional sai sempre  enfraquecida e dividida, sendo assim impedinda  de ser tronar uma mulher completa e uma Mulher Integral, de acordo com a  ideia que defendo e venho a desenvolver neste Blog e no livro do mesmo nome desde há mais de uma década.


Portanto a meu ver, a  mulher moderna, intelectual ou espiritual é tão atrasada no sentido do si mesma (não tanto no sentido juguiano do termo) como a mulher mais  ignorante, embora ela se tenha afirmado nos círculos académicos e outros, mas apenas porque exerce o seu animus e dando enfase à  Razão e à Lógica e não se atreve a ser ou a exprimir os aspectos de si  que lhe correspondem efectivamente: uma mulher sente mais com o coração (que é singularmente inteligente) e usa ou devia usar a intuição acima da lógica, sem a excluir ....pois é essa a sua qualidade intrínseca, e como se sabe são essas as funções do hemisfério cerebral direito, o lado feminino, e que são ridicularizadas pela mente lógica, hemisfério esquerdo. Vem dessa velha dicotomia entre sentir e pensar, o velho cisma que valoriza as funções de um hemisfério e denigrem os do outro. A mulher como representante dessas funções é e foi sempre ridicularizada ou inferiorizada por não saber pensar. Por isso ela hoje valorizando-se de acordo com a sociedade patriarcal utiliza apenas a mente masculina, a linguagem masculina - aceitando inclusive ser dela banida e ser aglutinada ao termo Homem -  e serve o modelo masculino de mulher que o imaginário do homem dela criou, moldou e lhe impos como única...aliás...tem dois modelos a escolha...mas essa escolha também não depende dela...  Enfim, digo e repito de todasas formas esta mesma visão até que ela seja integrada no Consciente e a mulher possa ser inteira, e nõa mais uma ou a "outra"...sempre dividida, grosso modo... entre a "santa e a puta"...e as suas variantes modernas e mediáticas, mas sempre divisão e utilização exploração de um lado da mulher.   rosaleonorpedro

terça-feira, abril 09, 2013

AS FRAUDES E O BRANQUEAMENTO DAS SEITAS


A MULHER E A ESPIRITUALIDADE


O que tem de mais perigoso esta pseudo espiritualidade, para mim a pior de todas as propagandas "New Age"? A negação de um processo de evolução individual no branqueamento do estado de ignorância de si das pessoas e do seu Eu, a negação do sofrimento e a fuga para frente em nome do amor...A promessa de paz e verdade, como se elas fossem possíveis sem nenhuma consciência dos processos iniciáticos, sem nenhum aprofundamento do Ser (corpo/alma/espírito), sem acesso a uma Consciência Superior (dentro do ser) e sem Transcendência nenhuma...


OUTRO BRANQUEAMENTO QUE ASSUME proporções esmagadoras, é o papel específico da Mulher iniciadora, (a Soror mística, a Dama) e o branqueamento da secular violência e abuso sobre a mulher muito em particular e tratá-la aí (nessas pseudo espiritualidades) como uma "igual" - mas sempre como serva do Senhor...- como se nada se tivesse passado no mundo - A Inquisição, por exemplo - nada que não a tivesse denigrido e adulterado o Princípio Feminino, ofuscado o seu poder pessoal, a sua dignidade, anulando as capacidades e potencial da Anima (e exaltação do animus) e as suas expressões de ser humano tais como, a intuição e percepção e ainda a maternidade versus sensualidade, e não a sua cisão entre esses dois aspectos.

A New Age continua a explorar a mulher nas suas fragilidades e ignorância, no seu desconhecimento de si e da sua verdadeira identidade, induzindo-a a crer que caminhando "lado a lado" e seguindo o Caminho do Homem ela encontrá tudo o que precisa...sendo, é claro, a boa companheira e a boa esposa, a boa mãe e talvez também a "boa cama"...e sem terem que pagar nada...pois seguindo o homem o guia e ou o Xamã...ela se completa...pela entrega e renúncia a si mesma, tal e qual como fez dela a Igreja católica...a santa no altar e a puta na rua e que o Vaticano explora nos Boréis  actulmente ainda.  E não faltam por exemplos destas boas e santas almas renunciantes...Umas e "outras"...que divididas é que é dá lucro aos padres e também aos políticos e por ai afora...

AS MULHERES SÃO SEMPRE AS QUE SUSTENTAM AS SEITAS E IGREJAS

POR ISSO SÃO MANTIDAS NA IGNORÂNCIA E SOB TUTELA DO PATRIARCADO.

rlp

A PERVERSIDADE...



O ABUSO DO MAIS "FRACO"

“O perverso de caráter apresenta como o perverso autêntico uma recusa muito focalizada e muito parcial da realidade, no entanto a sua recusa específica incide não sobre o direito da mulher em ter um sexo autêntico que é mesmo dela, mas sobre o direito dos outros em possuir um narcisismo próprio na medida em que é sentido como um obstáculo à utilização dos outros exclusivamente ao serviço do seu próprio narcisismo”


Jean Bergeret Psicologia Patológica ClimepsiAndreas Goosses que é o porta-voz do “Fórum de homens”, e que trabalha o campo do mundo psicológico masculino há cerca de duas décadas, esteve recentemente em Portugal e disse em entrevista para o Jornal Publico: “Os homens são sempre vistos como mais fortes mas também são, por vezes, vítimas de violência de outros homens. Não é tão falado, mas existe.”

Independentemente dos preconceitos do agressor face à mulher, compreendemos melhor o que poderá ser a sua estratégia demolidora, se pensarmos que o verdadeiro alvo a apontar é aquilo que mais seguramente atingirá a identidade da vítima, seja ela mulher ou homem. E fazem-no com um prazer disfarçado.

Nesse jogo perverso, joga-se com as expetativas da vítima, cujo escape poderá estar em libertar-se delas, guardar para si as partes que mais aprecia em si própria, deixar de se justificar, e resistir à sedução.   Publicada por cristina simões IN Incalculável Imperfeição

sexta-feira, abril 05, 2013

A VISÃO DE UM HOMEM CONSCIENTE...


"O poder da mulher é fascinante"


*
A aparente fragilidade e desequilíbrio que encontramos em muitas mulheres tem a mesma fonte do aparente subdesenvolvimento que as populações negras estão presas em nosso mundo ocidental.

A linha dentro da qual foram criadas leva a este estado.
Cada ser é o momento e pode pelo momento trabalhar o que vem até ele nos fluxos do existir.
Mas se é criado dentro de um contexto que não lhe permita o pleno desenvolvimento de suas capacidades e mais, reprime e cria condições para prejudicar esse desenvolvimento é óbvio que a causa desse efeito não precisa ser buscado em passados tão remotos.

O mesmo ocorre com a mulher.

Uma mulher é enfraquecida desde cedo, limitada e muitas vezes tem pobres exemplos submissos e frágeis dentro do seu lar para se espelhar.
Como a população negra, ainda se recuperando da condição desumana a qual foi exposta por tanto tempo, isolados de sua linha cultural e doutrinados para se sentirem inferiores.
A analogia devia ser bem meditada sobre quem quer entender técnicas de dominação e limitação do desenvolvimento.

A mulher pela sua condição receptiva pode participar do ato sexual mesmo não estando estimulada.
A famosa cena na qual o homem afoito “possuí” uma mulher que enquanto geme e pede mais olha no relógio para saber se o ‘tempo’ cobrado já passou faz parte do folclore cinematográfico de nossa cultura.
Esse aparente domínio do homem sobre o ato sexual também permite a mulher ser vítima de violências inconcebíveis por parte do macho dominador nas mais diferentes culturas.

O homem macho, que é diferente do homem masculino, tem no sexo uma de suas bases de afirmação. (...)

Aliás eu insisto sempre que poucos homens abandonam a adolescência, pois as questões que observamos ser o centro de gravidade nas questões masculinas são as mesmas desde a adolescência, apenas mudando matizes, mas permanecendo na mesma cor.
E é a maturidade que marca o momento no qual a qualidade vale mais que a quantidade.
Assim tenho percebido como tantrista que a mulher foi tragada pela famosa revolução sexual e como em outros campos acredita que sua liberdade é apenas imitar o homem em seus desatinos.

Depois de se sentir o prazer tântrico o outro nível se torna muito insonso.
*
A feminilidade não é fragilidade, muito pelo contrário, é um outro nível de manifestação de um poder sublime.
Uma mulher plena que tive o verdadeiro prazer de conhecer certa vez me deu um exemplo da força feminina, comparando-a a luz do sol.
O mesmo poder que mantém planetas girando ao seu redor é capaz de atravessar a vidraça sem quebrá-la e tocar suavemente a face da criança que dorme.
É esse poder que sentimos acordar no sexo tântrico, quando nos unimos num nível muito profundo a parceira, quando nossas almas comungam e nossos corpos se fundem.

Quando junto com o prazer das zonas erógenas se estimulando, cada célula do corpo descobre ser também erógena, cada respiração, cada murmúrio é ampliar o prazer que cala a mente , traz paz ao coração e na coluna ereta, que não é reta, pois o próprio mundo é curvo, flui o poder seminal.
Olhos se tornam também fogueiras, onde mergulhamos no mistério do feminino, que pode ser citado, mas só é compreendido se experimentado.

E não tenho dúvidas que muitos homens ainda fazem a guerra por nunca terem sido amados por nunca terem sido felizes, em seu desequilíbrio é como se vingam de nós que o somos."

*

  Guerrero/Nuvem que passa
 IN PISTAS DO CAMINHO

EU ESTOU VOLTANDO...



...A VOLTAR DEVAGARINHO, COMO CONVEM...

SEM DEITAR FOGUETES, PORQUE COM AS MÁQUINAS NUNCA SE SABE E TUDO PODE ACONTECER...
É BOM VOLTAR À VOSSA COMPANHIA...
(CONTINUO SEM EMAIL)
DÊEM SINAL DE VIDA...

UMA SOCIEDADE MERCANTIL




É VERDADE...

(…) Nunca se falou tanto de sexo, nunca se viu tantos corpos nus espalhados por cartazes, e nunca o amor se portou tão mal!


Já não é João, dito, “ o Baptista”, que grita hoje no deserto e tenta desbravar novos caminhos, é uma mulher de certeza, a mulher de sempre, a mulher do começo, livre e poderosa, generosa, e que por isso mesmo amedronta os que só sabem sorver, possuir, e que do amor conhecem sómente a segurança ou a violência. (...)

Se o amor mete tanto medo, é em particular porque requer o abandono de si, a confiança cega, absoluta: aos olhos de uma sociedade materialista ele não é um “valor seguro”.

E depois, ele tem esse defeito horrível de estar aí, de ser dado e, para uma sociedade mercantil, o gratuito é simplesmente intolerável. E como por natureza ( por energia), ele é imenso e excessivo, como transborda os fragmentos de existencia que nós nos representamos, procuramos calcar o que nos ultrapassa ou fugimos a toda a pressa de medo que o querido-pequeno-eu não seja apanhado pela vertigem. (...)

(...) Conheço bem demais as armadilhas da palavra, a satisfacção dos intelectuais que pensam ter resolvido um problema porque fizeram um colóquio sobre este tema, desconfio das teorias e dos conceitos, para deixar acorrentar neles a vida, o amor. No fundo, é bem feito que o amor escape aos que nâo vivem nem nos seus corpos, nem no presente, nem no silêncio.

Jaqueline kelen

terça-feira, abril 02, 2013

O SEU ROSTO NÃO TEM IDADE



A MULHER ORIGINAL



"O seu rosto não tem idade. podemos ver nele ao mesmo tempo uma criança, uma mulher, uma senhora velha. A sua espassa cabeleira cobre a sua pele que deixa adivinhar por partes o arredondado do seu corpo. Eu pergunto-me como é que se pode transformar esta mulher original num ser assim tão diabólico. Eu imagino a sua dor, a sua solidão.Gostaria de ser mágica e refazer a sua história.
...
Qualquer coisa que em mim deseja devolvê-la a sua nobreza acorda."

...
Anne Schwartzweber.

in Et Dieu perdit la femmeVer mais

trad. rlp

AQUELA QUE VEM...


NAS MÃOS DE LILITH...



"Eu sinto as mãos de Lilith pousarem nos meus ombros. Elas são de uma enorme delicadeza, e o seu contacto é-me muito agradável.


- Eu vou fazer-te viajar em ti mesma Anne, neSses lugares do teu ser que tu esqueceste ou que os acontecimentos dolorosos da tua vida dele te fizeram desertar. Tu vais poder redescobrí-los com um olhar de um dia novo. Eles se tornarão pouco a pouco os teus tesouros, a tua força, o teu mistério, essa jóia que nâo pertence senão a ti e faz com que tu sejas a mulher que és.

Sinto-me um pouco tonta...Tenho a impressão que uma onda de doçura vibra a minha volta. Não tenho medo. Eu sinto essa impressão como uma borboleta que esvoaça muito perto e dentro do meu coração, como quando sentimos que estamos prestes a descobrir algo de novo e que adivinhamos que nos trará uma imensa alegria..."

Anne Schwartzweber.

in Et Dieu perdit la femme

TRAD. rlp