O SORRISO DE PANDORA

“Jamais reconheci e nem reconhecerei a autoridade de nenhuma pretensa divindade, de alguma autoridade robotizada, demoníaca ou evolutiva que me afronte com alguma acusação de pecadora, herege, traidora ou o que seja. Não há um só, dentre todos os viventes, a quem eu considere mais do que a mim mesma. Contudo nada existe em mim que me permita sentir-me melhor do que qualquer outro vivente. Respeito todos, mas a ninguém me submeto. Rendo-me à beleza de um simples torrão de terra, à de uma gotícula de água, à de uma flor, à de um sorriso de qualquer face, mas não me rendo a qualquer autoridade instituída pela estupidez evolutiva da hora. Enfim, nada imponho sobre os ombros alheios, mas nada permito que me seja imposto de bom grado Libertei-me do peso desses conceitos equivocados e assumi-me como agente do processo de me dignificar a mim mesma, como também a vida que me é dispensada. Procuro homenageá-la com as minhas posturas e atitudes e nada mais almejo. É tudo o que posso dizer aqueles a quem considero meus filhos e filhas da Terra. “ In O SORRISO DE PANDORA, Jan Val Ellam

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

A LUTA PELA "IGUALDADE"...

Eu [ainda] sou feminista

E vou continuar a ser. Em Portugal, ser mulher em 2008 continua a ser uma desvantagem. Um erro de nascença, que só muito dificilmente se corrige. No emprego, trabalhando pelo menos cinco vezes mais que os colegas masculinos. Por exemplo: quanto maior o nível de formação, maior a diferença de salário entre homens e mulheres. Já não bastava a disparidade entre o número de mulheres licenciadas (65%) e o número de mulheres a ocupar altos cargos (37,6%), como essa diferença ainda é mais acentuada ao final do mês. As mulheres chegam a ganhar menos 29,4% do que os homens na remuneração média de base dos cargos mais altos.

É verdade que a taxa de ocupação feminina é muito maior em Portugal do que no resto da Europa (trabalhamos mais, e mais horas, que a maioria das restantes europeias), mas não deixa de ser também verdade que temos um dos piores regimes de apoio à maternidade, particularmente no apoio infantil (creches e etc.). Continuam, na maioria dos casos, a ser as mães a deixar o emprego a meio da tarde para ir a correr buscar crianças. E claro: o desemprego feminino está sempre pelo menos 3% à frente dos homens, porque no casal a opção pelo emprego masculino continua a ser economicamente mais racional. Ganha mais, e não tem em cima de si milénios de tradição a cuidar de crianças (evidentemente, reconheço excepções; contudo, não passam disso mesmo: excepções).

Enquanto houver empregadores a exigir às funcionárias o uso da pílula, para não terem de se maçar com gravidezes incómodas, eu vou ser feminista. Enquanto o assédio for tolerado com um sorrisinho complacente, eu vou ser feminista. E convém não esquecer que estes dados são só relativos ao trabalho e emprego. Falta tudo o resto: a violência, a pobreza, o acesso ao poder.
27 comentários
categoria Nacional Texto de Ana Margarida Craveiro (Atlântico)

Foto: Manifestação Brasil S.Paulo

1 comentário:

Lealdade Feminina disse...

Alguém me chamou??? Presente!!!